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​Análise: Ensaio sobre a Cegueira!


Foto:(Arquivo/OA)

O pior cego é aquele que não quer ver, ainda mais agravado em um momento o qual apenas os próprios olhos deverão estar descobertos pelas máscaras. Em tempos de incertezas é oportuno recorrer à literatura, que sempre tem algo a oferecer, e nada mais sugestivo que o “Ensaio Sobre a Cegueira” do escritor português José Saramago, Nobel de Literatura de 1998. 
 
A obra publicada em 1995 descreve uma comunidade tomada por uma infecção que provocou a cegueira nas pessoas, e que progressivamente de maneira rápida contamina boa parte da população, e exige ações do governo como confinamento, fechamento de limites territoriais e racionamento, um cenário muito parecido com o atual.

Em 2008, o cineasta brasileiro Fernando Meirelles levou a obra para as telas, inclusive tendo como cenário o pátio de trens da CPTM em Presidente Altino, Osasco. Na ocasião os atores Julliane Moore (As Horas), Mark Ruffalo (Os Vingadores) e Danny Glover (Máquina Mortífera) filmaram cenas na terra do cachorro-quente. Saramago, com seu estilo próprio, já havia mostrado através de metáforas e simbolismos, uma situação real e agora vivenciada, com personagens reais, e muitos deles personificados em total cegueira. 
 
Regionalmente parece que Santana de Parnaíba é o melhor local que se enquadra ou se aproxima da comunidade descrita por Saramago. O município é o único que decidiu voltar às aulas presenciais no pior momento da pandemia, e mesmo antes do retorno ocorrido na última segunda-feira (8), ainda na sexta-feira que a antecedia teve na sua principal figura, o prefeito Marcos Tonho (PSDB) a reafirmação que seguiria, cada vez mais, mesmo com os números mostrando o contrário.

Indícios de um “recuo forçado” poderão vir do próprio Plano São Paulo, matriz norteadora das decisões tomadas pelo prefeito, segundo ele mesmo, e que segundo a imprensa colocará o estado na fase roxa, somados a decisão da justiça em suspender as aulas presenciais em todo o estado, algo que sequer foi notada em Santana de Parnaíba que até a manhã desta quarta-feira (10) manteve as escolas com alunos, mesmo de forma reduzida, enquanto segundo relatos de algumas mães deixaram os alunos em casa sem aula. 
 
Apesar de toda uma conduta estabelecida de cima para baixo, é indiscutível citar que a realidade dos 645 municípios paulistas são bem distintas, visíveis até mesmo em uma mesma região, que no caso da Oeste, foi estabelecida por Santana de Parnaíba em ser diferente, e que literalmente ignorou a orientação do CIOESTE, que até o ano passado era presidido pelo ex-prefeito Elvis Cezar (PSDB).

A vitória de Marcos Tonho (PSDB) nas urnas esteve intimamente ligada e mesmo conhecida pela população de uma ‘continuidade’ do governo Elvis, o que talvez culminou em seu êxito, porém em pouco mais de dois meses à frente do executivo parnaibano, suas ações já desencadearam críticas, sendo duas delas,  o próprio retorno às aulas presenciais e a “homenagem ao prefeito Cezar”, que deu à ponte o nome do deputado Cezar, demonstrações discutíveis na condução do governo.
 
E agora fica a expectativa de um possível pronunciamento do prefeito Tonho na sexta-feira (12), em decorrência daquele do governo do estado, que caso confirme o ‘endurecimento’, o colocará em uma situação pouco confortável, já que todos enxergavam aquilo que ele não via, ou não queria ver, e pedindo emprestado um trecho de Saramago que diz “A pior cegueira é a mental, que faz que não reconheçamos o que temos pela frente”, talvez defina os desencontros e sem rumos percebidos até agora.
 





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