POLÍTICA

Governo usa balanço de 900 dias em defesa de ações na vacina


Divulgação

A pressão causada pelas manifestações políticas e pelas investigações da CPI da Covid no Senado fizeram o governo divulgar seu balanço de 900 dias com foco na defesa de suas ações para vacinar a população. É uma clara reação do presidente Jair Bolsonaro para tentar se blindar contra o desgaste provocado pela morte de meio milhão de pessoas em decorrência do novo coronavírus e pela demora na compra das vacinas.
 
O tom do documento elaborado pela Secretaria de Comunicação reflete essa preocupação do Planalto. No documento anterior, divulgado em 11 de março para falar sobre o balanço dos 800 dias, a abordagem sobre o drama da covid destacava seus efeitos sobre a alta de preços e a queda na renda. Sem auxílio emergencial e com a pandemia afetando profundamente os mais pobres, o documento dos 800 dias falava em "foco nas ações de enfrentamento à covid-19, na proteção aos mais vulneráveis e na retomada do crescimento econômico".

Na ocasião, não havia ainda a CPI no radar - a comissão foi instalada apenas no fim de abril. Com as revelações do colegiado, incluindo a atuação de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde, fornecendo orientações negacionistas para o combate à pandemia, o desgaste do governo se elevou fortemente. Assim, o texto dos 900 dias, agora, mira diretamente no combate à pandemia e na defesa da vacinação.
 
"O governo do presidente Jair Bolsonaro completa, neste dia 19 de junho, 900 dias de ações com foco no enfrentamento à covid-19. Muitos esforços têm sido direcionados para as ações de promoção à saúde e também para a retomada do crescimento econômico do País. Mais de 110 milhões de doses de vacinas contra a doença já foram enviadas a todos os Estados brasileiros, o que coloca o País em quarto lugar no ranking mundial de países que mais aplicam vacinas contra a covid-19. Até o fim do ano, todos os brasileiros, que assim o desejarem, serão vacinados", diz o texto, sem ressaltar a preocupação com os vulneráveis. Como já mostrou o Estadão Verifica, entretanto, o governo adota sua própria narrativa ao tratar das vacinas, sem mencionar a imunização proporcional por total de habitantes.

O assunto é retomado só mais adiante no documento, com um subtítulo chamado "apoio aos mais vulneráveis", citando apenas que "a primeira parcela do Auxílio Emergencial 2021, do Governo Federal, chegou a um total de 39,1 milhões de famílias. O valor total investido nos repasses para a primeira parcela totalizou R$ 8,9 bilhões".Com a pressão provocada pelos trabalhos da CPI, houve a preocupação em demonstrar que o governo teria cuidado adequadamente da distribuição de oxigênio para Estados e municípios. Esse é um dos pontos fortes das investigações da comissão, sobretudo em função do colapso da rede hospitalar de Manaus, onde pacientes morreram por falta do insumo. A suposta negligência do governo diante da crise é alvo da CPI.
 
"A Casa Civil coordenou reuniões de apoio do governo federal a Estados e municípios na logística de distribuição de oxigênio medicinal para unidades de atendimento à saúde. Por meio do Plano Oxigênio Brasil, somente neste ano, foram distribuídos aproximadamente 500 mil metros cúbicos de oxigênio para estados e municípios", diz o balanço dos 900 dias, acenando com uma situação de normalidade que é questionada fortemente nas investigações da CPI.





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