INTERNACIONAL

Neta de ministro de Hitler, deputada alemã sugere 'internacional conservadora' com Bolsonaro


Beatrix von Storch e o marido em encontro com Bolsonaro no Palácio do Planalto, em julho- Arquivo Pessoal

Pouco mais de um mês após visitar o presidente Jair Bolsonaro em Brasília, a deputada alemã Beatrix von Storch, do partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) afirmou em entrevista exclusiva por e-mail à BBC News Brasil que sua passagem pelo Brasil é parte do projeto de criação do que chamou de uma "internacional conservadora".
 
"Há muito tempo existe uma internacional socialista. Precisamos de algo como uma 'internacional conservadora'. Não exatamente como uma organização formal, mas como uma rede de troca de informações, discussão de estratégias e possíveis soluções para problemas internacionais", afirmou Beatrix Von Storch, que está em campanha para as eleições ao parlamento alemão, no próximo dia 26 de setembro.

A deputada alemã faz alusão a uma organização internacional fundada em 1951 e que atualmente congrega 160 partidos em 100 países - o PDT brasileiro está entre eles.

O objetivo declarado da atual Internacional Socialista é "implementar o socialismo democrático globalmente"
 
A rede é uma das herdeiras de um movimento mais abrangente batizado como Primeira Internacional, que operou para impulsionar movimentos sindicais europeus entre os anos 1860 e 1870, tendo como um de seus conselheiros o pensador alemão Karl Marx, autor de O Capital.

Para von Storch, a direita precisa de algo semelhante para disseminar "os valores cristãos e conservadores".

Segundo a parlamentar da AfD, o Brasil é "uma potência global e um aliado estratégico" para isso.

"A esquerda está muito bem organizada globalmente. Os conceitos e estratégias deles se movem muito rapidamente de um país para outro. Antifa e Black Lives Matter são organizações internacionais. Quando essas organizações operam em um país, é apenas uma questão de tempo para que se espalhem para outros países. Portanto, temos que encontrar maneiras de evitar que a esquerda internacional exerça pressão sobre nossas instituições democráticas nacionais", afirmou von Storch, ecoando um discurso repetido por Bolsonaro e integrantes de seu governo.

Em novembro de 2020, por exemplo, quando protestos Black Lives Matter eclodiram no Brasil depois que um homem negro foi espancado até a morte por seguranças de um supermercado, o vice-presidente Hamilton Mourão, afirmou: "para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil".
 
A visita de von Storch a Bolsonaro gerou intensas críticas não só ao presidente, mas aos deputados federais que também a receberam: Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e Eduardo Bolsonaro, o filho 03.

Von Storch é neta de Lutz Graf Schwer, que foi ministro das Finanças do líder nazista Adolf Hitler e enfrenta investigação em seu país por ter defendido que a polícia alemã atirasse em migrantes sem visto que tentassem atravessar a fronteira da Alemanha - incluindo mulheres e crianças.

Ao comentar a visita de Von Storch, Bolsonaro argumentou que o tinha sido fortuito e agiu como desconhecesse o perfil da parlamentar.

"Na semana passada tinha um deputado chileno e uma deputada alemã. Conversei, bati um papo. Vai que a deputada alemã é neta de um ex-ministro do Hitler. Pô, me arrebentaram na imprensa. Eu acho que não pode ligar um filho ao pai, muitas vezes, um fez uma coisa errada, ligar ao outro. Os regimes comunistas, quando não encontravam o homem acusado de um crime, prendiam a esposa dele, prendiam filhos. Eu não posso atender essa deputada? Foi eleita democraticamente na Alemanha."
 
As palavras de von Storch à BBC News Brasil, no entanto, sugerem uma ação muito mais coordenada entre o governo brasileiro e outras forças estrangeiras no mesmo espectro ideológico.

Ela mesma confirma isso em um artigo que escreveu no começo de agosto - depois da passagem pelo Brasil - para a publicação alemã conservadora Junge Freiheit.

"Se os conservadores não trabalharem juntos globalmente, vão sempre estar em desvantagem e perder a disputa. O governo Bolsonaro já entendeu isso e está aberto a cooperações com conservadores de outros países", escreveu, entre elogios ao mandatário brasileiro.





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