EDUCAÇÃO

8 entre 10 professores percebem efeitos positivos da Base Nacional Comum Curricular no alinhamento de políticas educacionais


Foto:(Giana Pontalti)

Oito em cada dez professores (78,4%) percebem coerência educacional total ou parcial entre os elementos pedagógicos de suas escolas e os novos currículos desenvolvidos a partir da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). É o que aponta uma pesquisa nacional realizada por iniciativa do Movimento pela Base, rede não governamental e apartidária de pessoas e instituições que desde 2013 se dedica a apoiar a construção e implementação de qualidade da BNCC e do Novo Ensino Médio, em parceria com a Fundação Lemann.

A pesquisa investigou a percepção de professores sobre a coerência entre as principais políticas educacionais envolvidas na implementação da BNCC e que apoiam diretamente a aprendizagem. São elas: as formações continuadas dos professores, os materiais didáticos e as avaliações. A ideia foi entender o quanto esses elementos são coerentes com os currículos das redes, que já foram alinhados à BNCC como primeiro grande passo do processo de implementação.

A pesquisa também revelou que, na percepção dos professores, os anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º) são os que apresentam menor coerência entre os elementos pedagógicos e a BNCC. Na avaliação geral, material didático e formação continuada foram apontados como os pontos de menor coerência com o currículo.

Realizada entre agosto e setembro de 2021, a pesquisa ouviu 1.231 professores de todas as regiões do país. O objetivo é conhecer a percepção de educadores a respeito da coerência do sistema educacional e o alinhamento dos elementos pedagógicos - currículos, materiais didáticos e avaliações - em relação aos novos currículos.
 
Coerência educacional

 
"A coerência educacional é um aspecto fundamental para que a BNCC avance em seu propósito de promover uma educação integral e de qualidade", ressalta Alice Andrés Ribeiro, Diretora de Articulação do Movimento Pela Base. Entende-se por coerência educacional o alinhamento de quatro pilares pedagógicos (conteúdos trabalhados em sala de aula estável, material didático, avaliação dos estudantes e formação continuada) aos novos currículos propostos pela BNCC. "A coerência adequada só é alcançada quando todos esses elementos estão adaptados e bem integrados entre si", complementa.

A pesquisa mostrou que 21,6% dos professores consideram baixo o alinhamento geral dos elementos pedagógicos da rede. Já para 57,5% esse alinhamento é parcial e para 20,9%, alto.

Alinhamento por ciclos

Quando separados por ciclos do ensino fundamental, é nos anos finais (6º ao 9º ano), de acordo com a percepção dos professores, que há menor alinhamento: 24,5% classificam como baixo, ao passo que nos ciclos iniciais (1º ao 5º ano) esse número cai para 18,4%. Esta relação é percebida na outra ponta, já que os que veem uma coerência alta representam 25,9% nos ciclos iniciais, comparados com 17,2% nos ciclos finais que têm a mesma visão.

Em ambos os ciclos, a maioria enxerga como parcial o grau de alinhamento, sendo esta opinião partilhada por 55,7% nos anos iniciais e 58,4% nos anos finais.

Formação e materiais são pontos fracos

A pesquisa identificou também quais elementos pedagógicos apresentam menor grau de alinhamento segundo os professores. A percepção é a de que materiais didáticos e formação contínua têm um menor avanço.

Para 29,8% dos docentes, é baixo o alinhamento de suas formações contínuas, contra 40% que consideram esse ponto em um nível parcial e 30,2% que o veem como altamente alinhado.

Em relação aos materiais didáticos, 29% consideraram o alinhamento baixo, 48,5% veem como parcial e apenas 22,5% como alto
 
Avanços e gargalos

 
"Quase uma década após o início dessa caminhada tão importante para a educação brasileira, podemos dizer que a grande maioria dos professores percebe que há uma coerência educacional total ou parcial em suas redes. Isso é um avanço importante", destaca Alice.

Para ela, além de mostrar os avanços, a pesquisa sinaliza elementos valiosos que permitem identificar gargalos e pontos de atenção, onde a implementação da BNCC pode ser melhorada. "É um processo contínuo, que exige tempo, coordenação e esforço de muitos atores, mas estamos confiantes de que estamos indo na direção de uma educação de melhor qualidade e mais equânime", completa.

Sobre o Movimento Pela Base

O Movimento Pela Base é uma rede não governamental e apartidária de pessoas e instituições, que desde 2013 se dedica a apoiar a construção e implementação de qualidade da BNCC e do Novo Ensino Médio. Sua missão é trabalhar em parceria para garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todas as crianças e jovens brasileiros.





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